sábado, 12 de março de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

uma gertrude stein é uma gertrude stein



Se eu lhe contasse
Um Retrato Acabado de Picasso

Se eu lhe contasse ele gostaria. Ele gostaria se eu lhe contasse.
Ele gostaria se Napoleão se Napoleão gostasse gostaria ele gostaria.
Napoleão se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se Napoleão se Napoleão se eu lhe contasse. Se eu lhe contasse se Napoleão se Napoleão se eu lhe contasse. Se eu lhe contasse ele gostaria ele gostaria se eu lhe contasse.
Já.
Não já.
E já.
Já.
Exatamente como como reis.
Tão totalmente tanto.
Exatidão como reis.
Para te suplicar tanto quanto.
Exatamente ou como reis.
Fechaduras fecham e abrem e assim rainhas. Fechaduras fecham e fechaduras e assim fechaduras fecham e fechaduras e assim e assim fechaduras e assim fechaduras fecham e assim fechaduras fecham e fechaduras e assim. E assim fechaduras fecham e assim e assado. E assado e assim e assim e assado.
Exata semelhança e exata semelhança e exata semelhança como exata como uma semelhança, exatamente como assemelhar-se, exatamente assemelhar-se, exatamente em semelhança exatamente uma semelhança, exatamente a semelhança. Pois é assim a ação. Porque.
Repita prontamente afinal, repita prontamente afinal, repita prontamente afinal.
Pulse forte e ouça, repita prontamente afinal.
Juízo o juiz.
Como uma semelhança a ele.
Quem vem primeiro. Napoleão primeiro.
Quem vem também vindo vindo também, quem vem lá, quem vier virá, quem toma lá dá cá, cá e como lá tal qual tal ou tal qual.
Agora para dar data para dar data. Agora e agora e data e a data.
Quem veio primeiro Napoleão de primeiro. Quem veio primeiro. Napoleão primeiro. Quem veio primeiro, Napoleão primeiro.
Presentemente.
Exatamente eles vão bem.
Primeiro exatamente.
Exatamente eles vão bem também.
Primeiro exatamente.
E primeiro exatamente.
Exatamente eles vão bem.
E primeiro exatamente e exatamente.
E eles vão bem.
E primeiro exatamente e primeiro exatamente e eles vão bem.
O primeiro exatamente.
E eles vão bem.
O primeiro exatamente.
De primeiro exatamente.
Primeiro como exatamente.
De primeiro como exatamente.
Presentemente.
Como presentemente.
Como como presentemente.
Se se se se e se e se e e se e se e se e e como e como se e como se e se. Se é e como se é, e como se é e se é, se é e como se e se e como se é e se e se e e se e se.
Cachos roubam anéis cachos fiam, fiéis.
Como presentemente.
Como exatidão.
Como trens.
Tomo trens.
Tomo trens.
Como trens.
Como trens.
Presentemente.
Proporções.
Presentemente.
Como proporções como presentemente.
Pais e pois.
Era rei ou rês.
Pois e vez.
Uma vez uma vez uma vez era uma vez o que era uma vez uma vez uma vez era uma vez vez uma vez.
Vez e em vez.
E assim se fez.
Um.
Eu aterro.
Dois.
Aterro.
Três.
A terra.
Três.
A terra.
Três.
A terra.
Dois.
Aterro.
Um.
Aterro.
Dois.
Eu te erro.
Como um tão.
Eles não vão.
Uma nota.
Eles não notam.
Uma bota.
Eles não anotam.
Eles dotam.
Eles não dão.
Eles como denotam.
Milagres dão-se.
Dão-se bem.
Dão-se muito bem.
Um bem.
Tão bem.
Como ou como presentemente.
Vou recitar o que a história ensina. A história ensina.


Gertrude Stein (tradução: Augusto de Campos in "Poesia da Recusa")

resposta



Talvez seja preciso perguntar ao ar:
o mesmo que respiram duas bocas unidas.
Porque minha garganta
carrega um rochedo,
fósseis
sedimentados
sob uma cicatriz e
todas as flores do enterro.
Sim, acabou o enredo.
Não tenho o fôlego que transforma
o verbo em carne,
em fogo
ou em ouro.

Veja, há um Pollock
de saliva e lágrima
desenhado sobre o passeio,
assim como há também passageiros
que sujam
o quadro
dos meus dias.
E mesmo conhecendo
toda a tragédia, a minha e a sua,
a Esfinge insiste com a
pergunta.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

e aprendi mais com jules (jules laforgue) desde então


sim, 150 anos de Jules Laforgue. e a revista errática publicou oito poemas do francês com tradução de André Vallias, que recomendo vivamente:


o poeta francês foi influência para poetas como Ezra Pound e T. S. Eliot (aliás, o primeiro Eliot é, de certa forma, um outro Laforgue). sua contribuição é referência importante para todo antenado (já que os poetas são as antenas da raça) e para qualquer um que pode rir deste mundo otário. também recomendo a leitura de um poeta que possui certo parentesco com Laforgue na última flor do lácio: Cesário Verde.

e não consigo me esquecer das traduções feitas por Augusto de Campos em "Verso, Reverso, Controverso", entre elas:



LA CIGARETTE

Oui, ce monde est bien plat: quant à l'autre, sornettes.

Moi, je vais résigné, sans espoir, à mon sort,

Et pour tuer le temps, en attendant la mort,

Je fume au nez des dieux de fines cigarettes.


Allez, vivants, luttez, pauvres futurs squelettes.

Moi, le méandre bleu qui vers le ciel se tord

Me plonge en une extase infinie et m'endort

Comme aux parfums mourants de mille cassolettes.


Et j'entre au paradis, fleuri de rêves clairs

Ou l'on voit se mêler en valses fantastiques

Des éléphants en rut à des choeurs de moustiques.


Et puis, quand je m'éveille en songeant à mes vers,

Je contemple, le coeur plein d'une douce joie

Mon cher pouce rôti comme une cuisse d'oie.


Jules Laforgue



O CIGARRO


Sim, este mundo é chato, e o outro, uma graça.

Eu vou resignado, sem me fiar na sorte,

E pra matar o tempo, enquanto espero a morte,

Lanço ao nariz dos deuses fitas de fumaça.


Ide, esqueletos do futuro, pobre raça.

Eu, o meandro azul que para o céu serpeia,

Mergulho em êxtase sem fim, cabeça cheia

De ópios febris de alguma estranha taça.


Adentro o paraíso, em sonhos todo imerso,

Nos quais se vão mesclar, em fantásticos ritos,

Elefantes em cio a coros de mosquitos.


E quando acordo, meditando no meu verso,

O coração pleno de júbilo, balanço

Meu polegar cozido - uma coxa de ganso.


(tradução de Augusto de Campos)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

adoraria estar no rio de janeiro



Exposição reúne pela primeira vez, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, as obras de Erthos Albino de Souza, um pioneiro da poesia feita em computador


Conhecido por sua interação com a vanguarda concretista, pelo convívio com os tropicalistas em Salvador, e como editor da célebre revista Código, o engenheiro, bibliófilo, poeta e pesquisador faleceu em 2000 sem nunca ter publicado em livro os seus poemas “alfa-numéricos” ou realizado uma exposição individual.







O Centro Cultural do Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro apresenta, a partir de 24 de agosto, a exposição Erthos Albino de Souza. Poesia: do dáctilo ao dígito, com curadoria dos poetas Augusto de Campos e André Vallias. Na data da abertura, será realizada, às 19h30, uma mesa-redonda com os curadores e com o também poeta Carlos Ávila.

A mostra faz um amplo apanhado da produção de Erthos Albino de Souza (1932-2000): dos primeiros poemas feitos com máquina de escrever, no final da década de 1960, às impressões em computador mainframe, realizadas durante os anos de 1970 e que fazem dele um relevante precursor da chamada “poesia digital”; dos “poesignos” – logotipos poéticos – aos poemas-obeto e colagens fotográficas.

Mineiro de Ubá, radicado em Salvador – ou “ubáiano” como ele mesmo se definia –, esse entusiasta da poesia de vanguarda, patrocinava projetos de Augusto de Campos e de outros concretistas, mas não se animava em publicar os próprios trabalhos. “Erthos preocupava-se, angelicalmente, acima de tudo com os outros, e ficava feliz com o êxito dos projetos e das obras dos poetas em que acreditava e que financiava com a maior e mais desinteressada generosidade”, explica Augusto de Campos.

O contato entre Erthos Albino e Augusto e Haroldo de Campos começou em 1962, quando ele tomou conhecimento dos primeiros estudos que os irmãos realizavam sobre o poeta maranhense Sousândrade. Erthos, então engenheiro da Petrobras em Salvador, se propôs a financiar o projeto de resgate da obra do poeta, sem conhecer os autores pessoalmente – o contato era só por cartas até 1969.

Erthos foi um grande pesquisador, responsável por inúmeras descobertas de textos de Pedro Kilkerry, Patrícia Galvão (Pagu) e Sousândrade, tendo ainda realizado um trabalho pioneiro de análise estatística de textos literários através do computador. Em 1973, fundou, com o poeta e antropólogo Antônio Risério, a revista Código, publicação brasileira de poesia de vanguarda, que teve 12 números e circulou até 1989. Suas obras criativas foram disseminadas nas revistas experimentais da época, como Pólen, a própria Código, Qorpo Estranho, Artéria, Muda e Atlas.


Sobre os curadores:

Augusto de Campos:

Nascido em São Paulo, em 1931, poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Em 1951, publicou o seu primeiro livro de poemas, O rei menos o reino. Em 1952, com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou a revista literária Noigandres, origem do Grupo Noigandres, que iniciou o movimento internacional da Poesia Concreta. Na década de 1980, começou a desenvolver poemas animados em formato digital – “clip-poemas”. Sua obra poética está coligida principalmente em Viva Vaia (1979, 3ª ed, 2001), Despoesia (1994) e Não (2003) – livro + CD-ROM. Seus poemas mais recentes podem ser vistos no site www.uol.com.br/augustodecampos e na revista www.erratica.com.br.


André Vallias:

Nascido em São Paulo, em 1963, é poeta, designer gráfico e produtor de mídia interativa. Foi curador de diversas exposições de poesia visual e digital, entre as quais: “Transfutur – Poesia visual da União Soviética, Brasil e países de língua alemã (Kassel 1990 e Berlim 1992), com Friedrich Block e Valeri Shestjanoi; p0es1e-digitale dichtkunst (Annaberg-Buchholz 1992), com F. Block; e POIESIS (Rio de Janeiro 2007), com F. Block e Adolfo Montejo Navas. Em 2004, criou a revista Errática www.erratica.com.br, editada com a colaboração do poeta e ensaísta Eucanaã Ferraz.


Erthos Albino. Poesia: do dáctilo ao dígito

Abertura: 24 de agosto, às 19h30 -

Mesa-redonda com Augusto de Campos, André Vallias e Carlos Ávila.

Visitação: de 25 de agosto a 24 de outubro de 2010 /

De terça a sexta, das 13h às 20h /

Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Entrada franca.

Classificação livre.

Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone (21) 3284-7400.

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro

Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea

Tel.: (21) 3284-7400




Texto de Augusto de Campos sobre Erthos Albino de Souza:

http://ims.uol.com.br/Erthos_Albino_de_Souza_segundo_Augusto_de_Campos/D409


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

o almanaque lobisomem






foi lançado no universo da internet “o almanaque lobisomem” editado por fabiano calixto, flávio rodrigo penteado e renan nuernberger (que por acaso publicou recentemente o interessante livro “mesmo poemas”). o almanaque, a revista, o acontecimento virtual, ou seja lá o que for isso, possui mais de 300 páginas e recomenda-se a leitura ao maravilhoso som de dirty da banda sonic youth (embora eu prefira sister ou daydream nation mesmo). a lembrança de gilles deleuze no editorial é precisa: “para nietzsche é evidente que a sociedade não pode ser a última instância. a última instância é a criação, a arte: ou, antes, a arte representa a ausência e a impossibilidade de uma última instância”. minha contribuição na revista se faz presente com o poema “resposta” que esteve neste blog com a imagem de um pollock. estão presentes no almanaque:


ADBUSTERS + ALBERTO MARTINS + ALFRED DÖBLIN + ANDRÉ FERNANDES + ANDRÉA CATRÓPA + ANNE SEXTON + ARNALDO ANTUNES + AVELINO DE ARAUJO + BANKSY + CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE + CARLOS MARIGHELLA + CHRISTIAN MORGENSTERN + CORINGA + DIEGO DE SOUSA + DIEGO VINHAS + DINIZ GONÇALVES JÚNIOR + DIRCEU VILLA + EDUARDO GALEANO + E. E. CUMMINGS + ÉRICA ZÍNGANO + FABIANO CALIXTO + FABIO CAMARNEIRO + FABRÍCIO CORSALETTI + FABRÍCIO MARQUES + FERNANDA SERRA AZUL + FLÁVIO RODRIGO PENTEADO + FLORA ASSUMPÇÃO + GABRIEL PEDROSA + HEINRICH BÖLL + HELIO NERI + HERIBERTO YÉPEZ + HERSCHEL PINKUS YERUCHAM KRUSTOFSKI + JEAN STAROBINSKI + JOHN ASHBERY + JOHN ZERZAN + JIM MORRISON + JULIANA AMATO + JULIANA MARKS + JÚLIO BARROSO + KAREN REVISITED + LAURA WITTNER + LAURIE ANDERSON + LEANDRO RODRIGUES + LEDUSHA + LEONARDO MARTINELLI + LETÍCIA COSTA + LILIAN AQUINO + MARCELLO VITORINO + MARCELO FERREIRA DE OLIVEIRA + MARCELO MONTENEGRO + MARCELO SAHEA + MÁRCIO-ANDRÉ + MARIANO MAROVATTO + MARÍLIA GARCIA + MÁRIO BORTOLOTTO + MARIO SAGAYAMA + MARCO BUTI + NICK DRAKE + NICOLAS BEHR + NÍCOLLAS RANIERI + PABLO ORTELLADO + PAULO RODRIGUES + PAULO STOCKER + PATRÍCIA AUGUSTA CORRÊA + PEDRO GALÉ + PRISCILA MANHÃES + QORPO-SANTO + RENAN NUERNBERGER + R. PONTS + RICARDO DOMENECK + RICARDO SILVEIRA + ROBERTO BOLAÑO + RODRIGO LOBO DAMASCENO + ROGÉRIO SGANZERLA + SAPATEIRO SILVA + SÉRGIO RAIMONDI + SYLVIA BEIRUTE + THAIS MONTEIRO + THE BEATLES + TIAGO PINHEIRO + TOM VIOLENCE + TOM WAITS + WILLIAM SHAKESPEARE + ZHÔ BERTHOLINI



para baixar o almanaque lobisomem: http://rapidshare.com/files/412611585/lobisomem.pdf.html



quarta-feira, 5 de maio de 2010

um dos meus vícios musicais


"O Captain! My Captain!"
Walt Whitman




conheça, ouça, procure, baixe, ouça de novo e mais uma vez:
CAPTAIN BEEFHEART AND HIS MAGIC BAND - TROUT MASK REPLICA