sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

um poema de ricardo aleixo: sobre dizer não

Paupéria Revisitada


Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).
Poetas se gabam do limbo, do veto
do censor, do exílio, da vaia
e do dinheiro não).
Poesia é pão (para
o espírito, se diz), mas atenção:
o padeiro da esquina balofa
vive do que faz; o mais
fino poeta, não.
Poetas dão de graça
o ar de sua graça
(e ainda troçam
— na companhia das traças —
de tal “nobre condição”).
Pastores e padres vendem
lotes no céu
à prestação.
Políticos compram &
(se) vendem
na primeira ocasião.
Poetas (posto que vivem
de brisa) fazem do No, thanks
seu refrão.


Ricardo Aleixo

2 comentários:

Mariana disse...

um dos poemas do Ricardo Aleixo que mais gosto.

entonces.

:-))

Carol Marossi disse...

Esse poema é sensacional, Nícollas!

Beijos desde a vila de Piratininga.